Terça, 04 Fevereiro 2020 21:06

DIA DO PERITO PAPILOSCOPISTA

Os papiloscopistas são os peritos oficiais mais antigos no Brasil, sendo oficializados pelo Decreto 4.764 de 1903, há 117 anos Os papiloscopistas são os peritos oficiais mais antigos no Brasil, sendo oficializados pelo Decreto 4.764 de 1903, há 117 anos Ascom Polícia Civil

Uma profissão pouco conhecida, mas de relevante importância para a sociedade, é celebrada nesta quarta-feira, dia 5. Trata-se do Perito Papiloscopista, profissional que contribui significativamente para todo o processo investigativo levado a efeito pela Polícia Civil. Em Roraima, o diretor do IIOC (Instituto de Identificação Odílio Cruz), Amadeu Triani, destaca os avanços da profissão.

De acordo com o diretor, a Papiloscopia é a ciência que trata da identificação humana através das papilas dérmicas presentes nas palmas da mão e na sola dos pés. Apesar de a nomenclatura ser desconhecida pela maioria da população, os papiloscopistas são os peritos oficiais mais antigos no Brasil, sendo oficializados pelo Decreto 4.764 de 1903, ou seja, há 117 anos.

Em Roraima, a primeira turma de peritos papiloscopistas formada pelo Estado tomou posse em 19 de julho de 2004. Triani recorda que tomaram posse no  cargo 28 peritos papiloscopistas e hoje são 15 profissionais para atender a todo Estado.

Em sua atividade, o trabalho realizado pelo papiloscopista é extenso. São profissionais encarregados pela coleta, levantamento, análise de vestígios papilares e organização de toda base civil e criminal de impressões digitais do Estado.

O trabalho não se restringe apenas às impressões digitais, mas a toda identificação, sendo responsáveis também pelos retratos falados, laudos prosopográficos, que é a identificação de suspeitos ou alvos a partir da comparação da face, apresentados em imagens (fotos frontais), além da identificação necropapiloscópica.

“São profissionais imprescindíveis para a perícia forense e a identificação humana. Neste dia 05 é uma data especial para destacarmos os avanços que tivemos em Roraima, pelos trabalhos realizados pelos peritos papiloscopistas, que ao longo dos anos têm enfrentado desafios, mas que esse esforço nos levou a sermos reconhecidos no Brasil, devido à seriedade com que desenvolvemos nosso trabalho”, disse.

De acordo com Amadeu Triani, muitos desafios da profissão ainda precisam ser vencidos, contudo, o avanço das atividades papiloscópicas no Estado tem sido fundamental em todas as fases da investigação de inúmeros crimes. Ele explicou que desde 2004 a plataforma digital utilizada no Estado, a IdNetBrasil Civil e Criminal, passou por diversas atualizações.

“Nossos peritos vêm contribuindo com o desenvolvimento de um sistema moderno na identificação humana. Inicialmente, apenas processava a biometria das impressões digitais. Agora, estamos operando e aperfeiçoando a biometria facial também. Para isso, inúmeros cursos de capacitação foram realizados e podemos afirmar que trabalhamos com especialistas na área”, relatou.

Triani destacou ainda que a multibiometria fortalece as ações de segurança pública, quando se alia à expertise do perito. Deste modo, na identificação civil, o perito pode evitar fraudes na falsificação das identidades, que possibilita prejuízos em diversos setores públicos e privados, tais como previdência, eleitoral, sistema bancário, seguradoras, crime organizado e etc.

“Outra atuação da expertise do perito está nas perícias em locais de crimes. A coleta de vestígios de fragmentos de impressões digitais, na cena dos fatos pode identificar vítimas, inocentes, possíveis autores e produzir a prova material”, revelou o diretor do Instituto de Identificação.

Ainda são atribuições dos peritos papiloscopistas a produção do retrato falado e a identificação necropapiloscópica e identificação de corpos com auxílio das digitais. “Todo este universo de ações do perito inibe a atuação do crime organizado. Podemos citar, por exemplo, quando uma organização criminosa tenta validar a morte de criminosos, que estão sendo procurados pela Justiça e o trabalho do perito papiloscopista detecta o crime e não facilita a emissão de falsa identidade, o que permitiria em tese estarem livres para cometer novos delitos”, explicou.

Triani destacou ainda que as identificações criminais eficientes possibilitam, ainda, controle da verdadeira população carcerária, identificando inocentes que podem cumprir pena no lugar de terceiros e evitar prejuízos na vida das pessoas. Outro ponto importante destacado por Triani está relacionado à integração entre as forças de segurança. Por exemplo, apesar de ser da estrutura da Polícia Civil, é possível ao Instituto de Identificação realizar ações integradas com a Polícia Militar.

“A plataforma IdNetBrasil em Roraima faz parte do conjunto de ferramentas da perícia papiloscópica. Tem uma gama de ferramentas e, uma delas, que representa o reconhecimento facial, tem ajudado no policiamento ostensivo da Polícia Militar, integrando a Polícia Judiciária, promovendo assim mais segurança para o cidadão roraimense”, disse.