Segunda, 30 Setembro 2019 20:44

Polícia Civil prende indígena acusado de participar de estupro coletivo

Polícia Civil prende indígena acusado de participar de estupro coletivo Ascom/PCRR

A equipe de policiais que integra o mutirão de crimes contra a dignidade sexual e do SI (Setor de Investigação) da DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) cumpriu na manhã desta quinta-feira, dia 26, o mandado de prisão preventiva contra o indígena K. Y. de 27 anos. Ele é um dos acusados de participar de um estupro coletivo contra uma indígena, da mesma etnia, de 25 anos.

A delegada que está à frente dos trabalhos, Catherine Saraiva, disse que o crime ocorreu no dia 22 de agosto deste ano, mas somente foi comunicado à Polícia no dia seguinte ao fato.

Segundo a vítima, o estupro foi praticado por nove homens, todos indígenas.
L. Y., disse que os homens estavam ingerindo bebida alcoólica numa área do lado de fora da CASAI (Casa de Saúde Indígena), localizada na área rural de Boa Vista.
Ela conta, que por volta das 19 horas de 22 de agosto, um deles puxou-a pelo braço e com ajuda dos outros arrastaram para fora da Casai, obrigando-a a pular o muro da Instituição. A jovem estava na companhia de sua mãe e com seu filho no colo. A mãe tentou impedir que ela fosse levada, mas os homens eram mais fortes.
A vítima disse ainda que os acusados a levaram para um matagal e que o local estava muito escuro. Todos os nove homens abusaram dela durante toda a noite, além de a agredirem fisicamente com puxões de cabelo. A mulher disse ainda que somente foi liberada no dia seguinte por volta das 5 horas da manhã.
Mesmo atordoada e ferida, a vítima disse que conseguiu chegar até a Casai, mas não procurou ajuda imediatamente. Entretanto, devido as dores, por volta das 17 horas decidiu procurar a Sala de Atendimento da Assistência Social da Casai, ocasião em que os profissionais a conduziram ao HMINS (Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazaré) onde ela foi atendida por uma equipe composta por médico, assistente social e psicólogo.

A vítima foi conduzida também ao IML (Instituto Médico Legal) para exame de corpo de delito e conjunção carnal. Ela apresentava na ocasião hematomas nos braços joelhos e reclamava de muitas dores.

INVESTIGAÇÕES – A delegada Catherine Saraiva destacou que várias diligências foram realizadas para esclarecer o caso. Ela disse que todas as oitivas dos envolvidos foram acompanhadas por intérpretes e assistente social da Casai.
A maior dificuldade, segundo ela foi identificar todos os envolvidos, pois a vítima disse o nome de alguns deles, mas como são indígenas eles voltaram para as áreas indígenas de origem.

O acusado K. Y. foi o único a ser preso. Quanto ao outro acusado, às investigações apontaram que estaria numa área de difícil acesso na fronteira com a Venezuela.
O preso hoje foi encaminhado para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo.

“Trata-se de um crime extremamente grave, que causa graves sequelas à vítima. A Polícia Civil vinha investigando esse caso e conseguiu prender um dos envolvidos”, disse a delegada.