Sexta, 09 Agosto 2019 17:59

Polícia Civil vai implantar laboratório forense de DNA para análise criminal  

Foram investidos R$ 3,5 milhões na aquisição de equipamentos Foram investidos R$ 3,5 milhões na aquisição de equipamentos Samuel Brandão

A partir do mês de setembro vai funcionar em Roraima o laboratório para análise de DNA referente às demandas da perícia criminal. A implantação do Laboratório de Genética Forense no Estado, no âmbito da PCRR (Polícia Civil de Roraima), será fundamental para solucionar crimes com mais celeridade e segurança, utilizando técnicas de genética e biologia molecular através na análise do DNA.

De acordo com a perita criminal Elisângela Ponchet, o DNA é reconhecido como prova material, sendo capaz de auxiliar na condenação ou absolvição de um suspeito. "Essa técnica, associada à Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos [RIBPG], que já interliga vários Estados brasileiros, permite a comparação das informações em nível nacional e, consequente, elucidação de crimes relacionados a um mesmo indivíduo", afirmou a perita.

As perícias em genética forense também se inserem nas ocorrências de identificação humana, principalmente nos eventos em que o corpo humano esteja carbonizado, fragmentado ou em decomposição, como ocorre com as vítimas dos mais variados desastres.

Atualmente, existem 118 processos que necessitam de laudos que devem ser realizados através de análise de DNA. Há processos que aguardam laudo desde 2005. A realização desses exames em outras cidades do País tem alto custo. Em Roraima, as demandas eram encaminhadas a laboratórios do Amazonas e Pará.

Os custos de deslocamento de um perito de Roraima para outro Estado onde a análise possa ser realizada e da realização do exame ficam em torno de R$ 5.800,00. Para que a análise seja realizada em outra cidade, é preciso que um perito leve o material a ser analisado até o destino e faça todo o acompanhamento.

O projeto de instalação faz parte de um convênio da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), que fez a doação e instalação de todos os equipamentos para o laboratório, além do treinamento de manuseio aos peritos. De acordo com o diretor do ICRR (Instituto de Criminalística de Roraima), Sttefani Ribeiro, em contrapartida o Estado adequou salas cedidas pelo CBMRR (Corpo de Bombeiros Militar de Roraima), através de um acordo de cooperação mútua. A parceria foi de suma importância para que o projeto fosse viabilizado.

“Sem a parceria e a integração entre as forças de segurança pública, especificamente entre a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros, a viabilização desse laboratório não seria possível. Nós temos que destacar e deixar bem claro que um dos itens do pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, é justamente a coleta de perfil genético dos apenados do sistema penitenciário”, disse Sttefani.

O Estado qualificou os peritos e vai custear a manutenção dos equipamentos, bem como ser responsável pela compra dos reagentes que serão utilizados na realização dos exames. Foram investidos cerca de R$ 3,5 milhões na aquisição de analisador genético, quantificador de DNA, macerador de ossos, pipetador automático, robô de extração, centrífugas, vortex, seladora, autoclave, estufa de esterilização e secagem, pipetas automáticas, freezers e geladeiras.

Conforme o delegado-geral da Polícia Civil, Herbert de Amorim Cardoso, a expectativa é que a análise de material feito em Roraima por meio do Laboratório Forense de DNA leve em média 10 dias para ser concluído e os custos reduzidos em 412%. Sem o laboratório, o prazo médio seria de 8 meses. Como as viagens não são regulares, há casos esperando análise há 14 anos.

“Fortalecer os métodos de investigação criminal é uma das medidas da nossa gestão e estamos trabalhando com todas as forças de segurança, através de parcerias, para que o nosso trabalho seja de excelência e vamos concluir esse laboratório Forense de DNA”, enfatizou o delegado.

SOBRE O INSTITUTO DE CRIMINALISTICA - O ICRR atende às mais diversas demandas periciais em setores distribuídos entre perícias internas e locais de crime. O ICRR conta com especialistas nas mais variadas áreas de conhecimento forense, como: balística, biologia, química, farmácia, engenharia, documentoscopia, fonética, análise de vídeos, edição de áudios, identificação de locutor, informática, crimes contra a pessoa e o patrimônio público, identificação veicular, crimes ambientais e genética.