Segunda, 22 Julho 2019 21:23

Motorista se apresenta à Polícia Civil e confessa atropelamento que matou escrivã

O infrator vai responder a inquérito por crime de homicídio com dolo eventual O infrator vai responder a inquérito por crime de homicídio com dolo eventual Ascom PCRR

O agricultor João Batista de Moraes Silva, de 37 anos, apresentou-se à Polícia na madrugada desta segunda-feira, dia 22, acompanhado de seu advogado e confessou ter atropelado três pessoas, dentre elas a escrivã da PCRR (Polícia Civil de Roraima), Juceneuda Lima Sobral de Barros, de 53 anos, que não resistiu e veio a óbito. O infrator vai responder a inquérito por crime de homicídio com dolo eventual.

O fato ocorreu na madrugada deste domingo, dia 21, na vila Nova Esperança, no município de Bonfim. A escrivã de Polícia e as outras vítimas foram socorridas e trazidas para Boa Vista e internadas no Pronto Socorro Francisco Elesbão.

O interrogatório dele foi realizado pelo diretor do DPJC (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), delegado, Adriano Santos, que estava respondendo pelo DPJI (Departamento de Polícia Judiciária do Interior) na Central de Flagrante, onde o agricultor contou como o crime ocorreu.

João Batista confessou que estava ingerindo bebida alcoólica desde às 16h de sábado, dia 20. Ao sair da sua propriedade na vila São Francisco, ele passou por locais diferentes para resolver pendências de sua fazenda.

“Ele disse que em cada local em que parava, chegou a beber uma ou duas latinhas. Assim, ele chegou por volta das 19 horas no mesmo comércio onde as vítimas estavam. Lá, ele ingeriu mais bebida”, relatou o delegado.

Ao sair do comércio, por volta de 1h50 da madrugada de domingo, João Batista afirma ter entrado em sua caminhonete, acompanhado de um primo e ter dado a marcha ré, colidindo neste momento em algumas motocicletas que estavam estacionadas logo atrás.

“As pessoas que viram a cena, o avisaram que ele havia batido em algo. Então, ainda conforme João Batista, ao tentar voltar com o carro para frente, ele puxou o câmbio e pisou no acelerador, como o carro era automático, ele perdeu o controle do automóvel, batendo nas pessoas e logo depois caindo no igarapé”, disse o diretor.

Logo em seguida, João Batista afirma ter fugido do local por ter sido ameaçado, inclusive por pessoas armadas.

“Essa foi a versão repassada por ele. Entretanto, já intimamos várias testemunhas para ouvi-las e confrontar as informações”, disse Adriano Santos.

Conforme o delegado, as investigações ainda estão no início. O inquérito para apurar os fatos já está sendo instaurado e todas as testemunhas foram intimadas para prestar depoimento. João Batista será indiciado por homicídio com dolo eventual (quando o agente, mesmo sem querer efetivamente o resultado, assume o risco de produzir).

Na fazenda de João Batista foi encontrada uma arma de fogo que foi apreendida e encaminhada para perícia, bem como a caminhonete usada por ele no dia do acidente.

“O próximo passo é colher todos os depoimentos, obter o resultado das perícias e, com todos os indícios, decidir se pediremos ou não a prisão preventiva dele”, explicou o delegado. Apesar de ter se apresentado à Polícia em Boa Vista, as investigações terão continuidade pela Delegacia de Polícia de Bonfim, onde o Inquérito Policial foi instaurado.